Festa de Santos Populares da comunidade cabo-verdiana do Moinho das Rolas em Oeiras, dia 8 de Junho de 2014. 

Croquis vs Google Maps, par Guy Delisle

Avec Google Maps, j’ai retrouvé quelques endroits de Lisbonne où j’ai fait des croquis. Ce qui est bien avec les croquis, c’est qu’on garde uniquement ce qui nous intéresse, tout ce qui est fils électriques, bagnoles, touristes, parasols publicitaires peuvent être ignorés. Ça donne une réalité modifiée mais c’est ça aussi faire du croquis, c’est s’arrêter un peu plus longtemps que d’habitude sur ce qu’on aime voir en faisant abstraction du reste et forcément, ça modifie un peu la réalité.
Ce que démontre ce vis-à-vis :

 


 

fluxosetransicoes:




I

 
De Arroios, nascido e criado, perto da sua fronteira, como convém, para travessias e transgressões. Ficam para trás as transformações aceleradas da Baixa, fica a distância e o espaço de racionalização criado, para ainda olhar para ela com preocupação. Ainda assim, solidário com a psicose dos que ficam.
De volta ao Purgatório (deixo à vossa estima decidir onde pára o céu e o inferno desta cidade), talvez por dois anos, o tempo que agora demora a cavalaria a bater à porta, até ter que subir: duas, quatro, seis, estações de metro, até a linha extinguir-se.
 II Porta para Oriente; ligação entre o planalto e a parte baixa da cidade; intersecção entre povo, aristocracia e burguesia; Arroios é transição e, para que não haja repetições: um espaço de purificação ou castigo temporário. 
 Para os mais distantes, o sítio era pouco mais do que o Convento de Nossa Senhora da Conceição, onde se afirmava ou negava o bacilo de Koch. Os de cá, percebem como a caminho de Sacavém pariu-se a Morais Soares, alguns lembram-se das consequências póstumas de Ressano Garcia, da migração dos ciganos da Calçada do Poço dos Mouros para o Alto Varejão,  das homenagens pagas pela República do Chile, da fuga do Neptuno para a Estefânea .
 
Há ainda quem tenha visto o filho do Sr. Taveira, agulheiro da Carris do Arco do Cego, a cirandar todo de branco que nem herói pelos salões de jogos de Arroios, e a conspirar com os amotinados da Casa de Estudantes do Império contra o regime. E talvez por isso, as mãos de Tomás, mais do que uma promessa no bilhar, tridimensionaram  parte da cidade de Lisboa. 
 
Responsabilidades de Arroios?
 
Ribeira esquecida que desagua num golfo agora inexistente, Arroios não perde seu nome, não lhe acontece como ao sítio onde se depositava a Palha Vã da cidade, por mais homenagens que ofereçam. Tem demasiada cultura própria.


 





PHOTOS

fluxosetransicoes:

I
 
De Arroios, nascido e criado, perto da sua fronteira, como convém, para travessias e transgressões. Ficam para trás as transformações aceleradas da Baixa, fica a distância e o espaço de racionalização criado, para ainda olhar para ela com preocupação. Ainda assim, solidário com a psicose dos que ficam.

De volta ao Purgatório (deixo à vossa estima decidir onde pára o céu e o inferno desta cidade), talvez por dois anos, o tempo que agora demora a cavalaria a bater à porta, até ter que subir: duas, quatro, seis, estações de metro, até a linha extinguir-se.

II


Porta para Oriente; ligação entre o planalto e a parte baixa da cidade; intersecção entre povo, aristocracia e burguesia; Arroios é transição e, para que não haja repetições: um espaço de purificação ou castigo temporário


Para os mais distantes, o sítio era pouco mais do que o Convento de Nossa Senhora da Conceição, onde se afirmava ou negava o bacilo de Koch. Os de cá, percebem como a caminho de Sacavém pariu-se a Morais Soares, alguns lembram-se das consequências póstumas de Ressano Garcia, da migração dos ciganos da Calçada do Poço dos Mouros para o Alto Varejão,  das homenagens pagas pela República do Chile, da fuga do Neptuno para a Estefânea .
 
Há ainda quem tenha visto o filho do Sr. Taveira, agulheiro da Carris do Arco do Cego, a cirandar todo de branco que nem herói pelos salões de jogos de Arroios, e a conspirar com os amotinados da Casa de Estudantes do Império contra o regime. E talvez por isso, as mãos de Tomás, mais do que uma promessa no bilhar, tridimensionaram  parte da cidade de Lisboa. 
 
Responsabilidades de Arroios?
 
Ribeira esquecida que desagua num golfo agora inexistente, Arroios não perde seu nome, não lhe acontece como ao sítio onde se depositava a Palha Vã da cidade, por mais homenagens que ofereçam. Tem demasiada cultura própria.
 

O Holocausto Português

The 26 Best Cities In The World To See Street Art

“Portugal’s capital city just keeps scooping the accolades and this latest one will be particularly well-received by budget travellers across Europe. According to the latest Post Office City Costs Barometer 2014, released on Monday this week, a trip to Lisbon is the best for value in the Eurozone, being half the price of a visit to Paris, Amsterdam or Rome.”
"O taxista descobriu: -ah,veio naquele avião?. Então levou-me a uma tasca,depois a outra, e a outra, foi mostrar-me à mulher e aos filhos,foi uma festa e quando cheguei a casa já não sabia onde estava" (…) "Não avisara ninguém da minha chegada, porque nada me garantia a segurança. A entrada em Lisboa, gozar a cidade ao fim de tantos anos,foi uma grande alegria. Mas so libertei-me verdadeiramente.da tensão quando o taxista me levou a beber uns copos".
Claudio Torres,sobre a sua chegada do exílio a 30 de Abril de 74, in Expresso.

"O taxista descobriu: -ah,veio naquele avião?. Então levou-me a uma tasca,depois a outra, e a outra, foi mostrar-me à mulher e aos filhos,foi uma festa e quando cheguei a casa já não sabia onde estava" (…) "Não avisara ninguém da minha chegada, porque nada me garantia a segurança. A entrada em Lisboa, gozar a cidade ao fim de tantos anos,foi uma grande alegria. Mas so libertei-me verdadeiramente.da tensão quando o taxista me levou a beber uns copos".

Claudio Torres,sobre a sua chegada do exílio a 30 de Abril de 74, in Expresso.

I’ve come on a curious mission: to find a key to a sentiment that’s been haunting me since I discovered the country in 2005. That first time I laid eyes on Lisbon, I felt a peculiar kind of wistfulness. I’d never before set foot in Portugal, so there was nothing to be wistful about. But the feeling was present, it was potent, and I found it quite odd. En route from the airport, I remember seeing shabby porticos, a palm tree here and there poking out of spaces between abandoned buildings.

(…)

I’ve always loved wistfulness. I have a soft spot for nostalgia, the bittersweet remembrance of things past. Perhaps it was the saudade that seduced me to Lisbon in the first place. I love walking through the city’s half-empty streets on a quiet Sunday afternoon, past yellow funiculars and wobbly trams, the peeling walls filled with street art that makes you stop and think, the light reflecting off pastel-colored rooftops.